A exposição visual
Concreto: um novo olhar sobre a paisagem urbana do Gama,
apresenta 20 serigrafias do artista plástico e impressor serigráfico Fábio Lucas. As obras nos transportam para a cidade, uma das regiões administrativas do DF, em uma viagem que modifica e altera nosso olhar para a paisagem urbana.
A cidade do Gama foi criada em 1960, junto à febre da nova capital, planejada nos mesmos ditames modernistas que Brasília, e tem uma trajetória marcada por uma intensa vida cultural e urbana fora do Plano Piloto que marcam a história do Distrito Federal.
As serigrafias de Fábio Lucas nos levam pelas ruas, prédios e conjuntos urbanos em uma jornada que colore a urbe e apresenta novas maneiras de ser na cidade. Muitas vezes em nossa rotina, a cidade é apenas um espaço de passagem transcorrida nos transtornos da vida cotidiana, mas através da arte nós reaprendemos a viver a cidade como um espaço de descobertas e maravilhamento.
Fábio Lucas é um artista que já morou no Gama e tem aquela intimidade que apenas a passagem do tempo é capaz de forjar. Somos apresentados a imagens de prédios em construção, praças, à feira da cidade, um portão do famoso estádio e um orelhão, com a precisão da fotografia. As cores vibrantes ampliam a visão do espectador amplificando a cidade em imagens impactantes. O contraste entre o preto e branco e as cores criam uma cidade onírica e concreta ao mesmo tempo.
As gravuras foram produzidas a partir fotografias tiradas nas ruas em meio ao burburinho urbano e ao contato com sua gente. A serigrafia é uma técnica marcada pela produção manual em que a identidade do artista sobressai metamorfoseando as imagens em obras únicas. A arte apresenta assim uma cidade marcada pelo olhar do artista que reconfigura o espaço urbano e o reapresenta para todos nós.
Ninguém vai mais transitar pelas ruas do Gama com a mesma perspectiva após apreciar as obras desta exposição. Reaprender a habitar a cidade como um lugar de beleza e de questionamento, apontar o mundo urbano como lugar de criatividade e de imaginação.
Texto de Luiz Reis poeta e artista visual do DF